Tratamento com lumacaftor/ivacaftor deve ser fornecido pelo plano de saúde

Lumacaftor/Ivacaftor é um medicamento de alto custo que tem a cobertura negada com frequência pelos planos de saúde. Este artigo apresenta considerações sobre a obrigatoriedade de custeio deste tratamento pelo plano de saúde.

Segundo a bula do Lumacaftor/Ivacaftor, o remédio em questão é recomendado para o seguinte tratamento:

Lumacaftor + Ivacaftor (lumacaftor/ivacaftor) é indicado para o tratamento de fibrose cística (FC) em pacientes com 6 anos de idade ou mais e que são homozigotos para a mutação F508del no gene regulador de condutância transmembrana da fibrose cística (CFTR)”.

Trata-se de um medicamento de alto custo cuja cobertura é comumente negada pelos convênios.

Plano de saúde deve cobrir Lumacaftor/Ivacaftor?

Sim. Havendo indicação médica expressa justificando a necessidade de seu uso, o medicamento Lumacaftor/Ivacaftor deve ser fornecido pelo plano de saúde assim como qualquer outro medicamento necessário ao tratamento da doença.

Ainda assim, são comuns situações em que o plano de saúde se nega a cobrir certas medicações aos pacientes, o que é totalmente ilegal.

Normalmente, quando a cobertura do Lumacaftor/Ivacaftor é negada pelo plano de saúde, o faz sob a alegação de que o remédio não está no rol da ANS.

Esse tipo de negativa de cobertura pelo plano de saúde, no entanto, é totalmente abusiva. O Judiciário há muito tempo reconhece que coberta a doença, o tratamento deve ser coberto independentemente de constar expressamente no rol da ANS ou do local da administração.

A Lei 9.656/98, que regulamenta os planos de saúde, obriga a cobertura de tratamento pelo plano de saúde de qualquer doença listada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, também chamada simplesmente de CID.

Além disso, o beneficiário do plano de saúde é protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, que considera nula qualquer restrição que ponha o consumidor em situação de desvantagem excessiva.

Portanto, se uma doença é coberta, obviamente o tratamento também deve ser, de modo que o plano de saúde deve fornecer Lumacaftor/Ivacaftor sempre que houver indicação médica.

Do Direito:

Veja a seguir um exemplo de decisão recente em que a Justiça decidiu que o plano de saúde cobre Lumacaftor/Ivacaftor:

PLANO DE SAÚDE – Negativa de cobertura de medicamento para tratamento de fibrose cística – Procedência decretada – Cerceamento de defesa – Não ocorrência – Abusividade reconhecida – Alegação da ré de que a recusa é lícita, posto se tratar de medicamento de uso domiciliar, com expressa exclusão contratual  (…).” (TJSP, A.C.: 1001482-73.2020.8.26.0451)

O que fazer diante da negativa?

Diante da negativa de custeio do medicamento Lumacaftor/Ivacaftor por parte da operadora de plano de saúde, seja ela pública ou privada, é possível, com a assistência de um advogado especialista em direito da saúde, buscar o poder judiciário para reverter rapidamente a situação por meio de uma decisão liminar, obrigando o plano ao custeio da medicação e ainda pleiteando indenização pelos danos morais sofridos.

Para tanto, é extremamente importante a existência de relatório médico apontando a necessidade da utilização do medicamento para o tratamento do beneficiário.

A concessão judicial do fármaco demora?

Por meio do deferimento da tutela provisória de urgência (liminar), o consumidor poderá exercer o seu direito desde o início do processo. Portanto, não é necessário que o consumidor aguarde a ação transitar em julgado para que seja posto um fim à negativa abusiva decorrente da operadora de plano de saúde.

Sendo assim, pode-se dizer que não há demora na concessão judicial do fármaco, uma vez que se tenha dado início ao processo. As liminares costumam ser apreciadas em um prazo médio de 24 a 72 horas após a distribuição da ação.

Quem é o Dias Ribeiro Advocacia?

O Dias Ribeiro Advocacia é um escritório de advocacia especializado em ações contra planos de saúde. Nos aperfeiçoamos diariamente para prestar o melhor serviço jurídico na tutela do direito à saúde de milhares de beneficiários de plano de saúde.

Se ficou com alguma dúvida, você pode retirá-la mandando para o nosso e-mail ribeiro@diasribeiroadvocacia.com.br ou encontrar mais informações de contato clicando aqui.

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