Introdução: a urgência do tema
Casos urgentes exigem respostas rápidas. A negativa de internação em UTI por planos de saúde, sob alegação de carência, coloca vidas em risco imediato. Este artigo aborda, com base em decisão recente do Juizado Especial Cível e Criminal de Cubatão (SP), os direitos de pacientes em situações como a de Vozie Hamia, enfrentando essa negativa por parte da AMIL Assistência Médica Internacional S.A. e do Hospital Ana Costa S/A.
Entendendo o caso de Cubatão: situação real e urgente
No dia 21/07/2026, Vozie Hamia foi admitida em emergência no Hospital Ana Costa, apresentando sepse urinária, dor torácica e instabilidade hemodinâmica. Mesmo diante da gravidade, a internação na UTI não foi autorizada pela operadora de plano de saúde até a data do pedido judicial.
Segundo laudo médico de 22/07/2026, a recusa representava risco à vida e possibilidade de danos irreversíveis.

Justificativa do plano de saúde: a alegação de carência
O argumento central da AMIL era de que ainda vigorava carência contratual para internação em UTI. Esse tipo de negativa é recorrente, impactando diretamente pacientes que necessitam de resposta rápida e tratamento intensivo.
O termo “carência” indica o prazo em que o usuário do plano de saúde ainda não tem direito integral à cobertura de determinados procedimentos.
Direito à saúde versus cláusulas de carência
O Judiciário reconhece que, em situações de urgência e emergência, a vida está acima de cláusulas contratuais. O entendimento atual considera ilegal a negativa de cobertura assistencial diante do risco de agravo extremo à saúde.
Em casos em que há risco à vida, a carência não pode ser utilizada como barreira para o acesso ao tratamento.
No próprio site da Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia, é possível entender que a discussão sobre a carência aparece em diversas ações judiciais sobre contratos de plano de saúde. Para aprofundar, veja a análise sobre quando o plano pode exigir carência em situações de urgência e emergência: carência em urgências e emergências.
Internação em UTI: por que não pode esperar
Segundo o relatório médico de Vozie Hamia, a admissão imediata na UTI permitiria monitorização contínua, uso de drogas vasoativas e exames necessários. A demora na autorização poderia causar agravamento e sequelas irreversíveis, situação infelizmente comum segundo estudos recentes sobre as taxas de internação por trauma em UTI no Brasil, que aumentaram 3,6% ao ano entre 1998 e 2015, sendo ainda maiores entre mulheres e idosos segundo estudo publicado Revista de Saúde Pública.
O que o Judiciário decidiu: destaque para a tutela de urgência
O juízo de Cubatão reconheceu a probabilidade do direito de Vozie Hamia e o perigo na demora do tratamento. Dessa forma, concedeu liminar determinando que AMIL e Hospital Ana Costa autorizassem a internação e toda a assistência de UTI em até 12 horas, monitorização, atendimento intensivista, suporte com drogas vasoativas e exames. Foi estipulada multa diária de R$ 1.000,00, limitada a 30 dias, caso a decisão não fosse cumprida.
“Proteja-se a saúde. A urgência da vida não pode esperar.”
Procedimento para cumprimento da decisão
A autora deveria, no prazo de 5 dias, encaminhar a decisão judicial às rés e comprovar residência em Cubatão, sob risco de revogação da medida. Ou seja, mesmo decisões urgentes exigem atenção a trâmites burocráticos.
O papel do CEJUSC: a audiência virtual de conciliação
Após a liminar, o processo seguiu para o CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) para agendar audiência de conciliação virtual. O procedimento envolve conferência dos e-mails das partes, envio de convites e realização pela plataforma Teams.
É orientado que documentos sejam enviados antes da audiência conforme regras específicas detalhadas pelo juízo. Em caso de dificuldades técnicas, o usuário pode acessar o fórum presencialmente para usar equipamentos fornecidos e garantir participação.

Regras da audiência e consequências da ausência
Se qualquer parte não comparecer, sem justificativa, a ausência será registrada oficialmente. Conforme os artigos 9º e 20 da Lei nº 9.099/95, a ausência do réu implica em presunção de veracidade dos fatos apresentados pela autora. Essa é uma regra que pode definir o desfecho do processo.
Audiências não podem ser gravadas pelas partes, sob pena de responsabilização pela Lei da Mediação.
Não havendo acordo: contestação e prazos
Caso não seja celebrado acordo em audiência, a parte requerida deverá apresentar contestação em até 15 dias. A marcação da audiência é informada via e-mail. Se a parte não for localizada, são feitas diligências para encontrar os contatos e garantir o chamamento.
Importante ressaltar que o comparecimento à sala virtual do CEJUSC é obrigatório após o agendamento.
Medidas processuais diante de negativa de UTI
Frente à recusa injustificada do plano de saúde em autorizar o tratamento intensivo, o paciente deve seguir alguns passos:
- Pedir a negativa por escrito detalhada da operadora ou hospital
- Obter relatórios médicos com urgência, detalhando o risco de vida e tratamentos indicados
- Procurar orientação jurídica especializada em direito da saúde
- Protocolar ação judicial com pedido de liminar, anexando documentos médicos
A liminar é geralmente concedida em poucas horas ou dias quando o quadro clínico é urgente.
Para entender mais sobre prazos específicos de carência, conforme mudanças recentes nas regras, pode-se consultar as informações sobre portabilidade e carências no artigo ANS e portabilidade de carências.
A importância do laudo médico e da documentação
Um laudo detalhado é a base do pedido judicial. É por meio do laudo que se demonstra o risco irreversível, a necessidade de internação e o perigo da demora. Vale reforçar que, para o direito ao procedimento pelo plano de saúde, o diagnóstico médico é essencial.

Riscos da recusa do plano de saúde e as consequências legais
A recusa pode agravar o quadro clínico, causar sequelas e até morte. Além disso, planos de saúde que se negam a autorizar procedimentos urgentes por alegação de carência podem ser condenados a reparar danos morais. Casos como o de Cubatão mostram que o Judiciário é sensível à gravidade dessas situações.
Já se discutiu judicialmente que, mesmo com cláusulas contratuais de carência, não se pode afastar a cobertura em situações emergenciais. O entendimento é amplamente defendido, veja mais no artigo sobre cobertura mesmo em caso de carência contratual: afastamento de cobertura por carência.
A jurisprudência atual sobre negativa de UTI
O Superior Tribunal de Justiça entende que planos de saúde não podem recusar internações em situações de urgência, ainda que o período de carência não esteja encerrado. A proteção da vida e da saúde são princípios constitucionais incontestáveis. Isso se aplica inclusive a medicamentos de alto custo necessários em UTI, como já reconhecido em decisões recentes.
Indicadores de desfecho clínico mostram que a demora na admissão em UTI compromete a recuperação e pode trazer danos irreversíveis.
Prevalência e impacto das negativas de plano de saúde
Recusar cobertura de UTI é algo recorrente no sistema de saúde brasileiro, especialmente em emergências. Dados apontam que milhares de pacientes recorrem à Justiça todos os anos para garantir acesso ao atendimento intensivo.
“O Judiciário tem atuado para garantir o direito à vida antes de qualquer formalidade contratual.”
O papel da assistência jurídica especializada
Trabalhar com escritórios dedicados ao direito da saúde faz toda a diferença. A Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia tem larga experiência em casos similares, atuando na defesa de quem enfrenta negativas indevidas de planos de saúde, inclusive questões relacionadas a medicamentos e internações de alta complexidade.
Conhecer decisões judiciais, prazos, carências e direitos do usuário é fundamental para garantir resultado efetivo.
Para mais informações sobre dúvidas comuns em carências, vale consultar: carência do plano de saúde: dúvidas frequentes.
Telemedicina em UTIs e limitações no contexto atual
Estudo recente do Hospital Israelita Albert Einstein, via Proadi-SUS, indicou que o uso da telemedicina em UTIs não reduziu o tempo de internação ou contribuiu significativamente para o desfecho dos pacientes graves conforme ensaio divulgado em 2024. Isso reforça a necessidade de internação física e atendimento presencial intensivo, especialmente em situações de emergência.
Implicações práticas para os beneficiários de plano de saúde
Beneficiários devem manter sempre cópias de seus contratos, informativos e documentos médicos atualizados. Assim, é possível agir rapidamente diante de qualquer negativa e buscar orientação especializada com agilidade.
A negativa de acesso à UTI pode ser revertida por meio judicial em poucas horas.
O caminho a seguir: direitos e orientações finais
Diante da urgência da situação, a recomendação é sempre buscar auxílio jurídico especializado para garantir que os direitos de quem depende de plano de saúde estejam protegidos. O tempo conta e decisões rápidas salvam vidas.
Soluções como as oferecidas pela Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia ajudam a transformar injustiças em decisões favoráveis ao cidadão.
Conclusão
Quando a vida está em jogo, não se pode esperar. Em casos como o de Cubatão, a Justiça mostrou que acolher pacientes de imediato é uma prioridade constitucional. O entendimento é claro: cláusulas de carência dos planos de saúde não podem servir de escudo para impedir tratamentos de emergência.
Quer saber mais sobre seus direitos, ou precisa de apoio? Descubra como a Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia pode ajudar você a garantir acesso à saúde quando mais precisa.
Perguntas frequentes sobre carência, UTI e plano de saúde
O que é carência no plano de saúde?
Carência é o prazo inicial previsto em contrato em que o usuário ainda não pode usar determinadas coberturas ou procedimentos, mesmo já estando vinculado ao plano de saúde. Para a maioria dos procedimentos, há um tempo mínimo que precisa ser respeitado, mas em emergências e urgências, a lei prioriza a vida, impedindo esse tipo de restrição.
Como contestar a negativa da UTI?
O primeiro passo é exigir a negativa formal do plano de saúde. Em seguida, reunir toda a documentação médica e registrar o risco de agravamento à saúde. É possível ingressar com ação judicial com pedido de liminar, para exigir a internação imediata. Com rapidez e documentação forte, a Justiça costuma deferir o pedido emergencial.
Quais direitos tenho contra o plano de saúde?
Há direito à cobertura de procedimentos de urgência, incluindo internação em UTI, mesmo durante períodos de carência. O Código de Defesa do Consumidor e a Constituição asseguram a proteção à vida, à saúde e à dignidade do beneficiário.
É possível acionar a Justiça contra o plano?
Sim. Sempre que houver negativa indevida, especialmente em casos de urgência médica, o beneficiário pode e deve recorrer ao Judiciário. A liminar, quando fundamentada, costuma garantir acesso ao tratamento que foi negado.
Quanto tempo dura a carência para UTI?
Em regra, o prazo de carência para internação é de até 180 dias. Porém, conforme a legislação e a jurisprudência, nos casos de emergência e urgência, esse prazo pode ser relativizado, obrigando o plano de saúde a cobrir a internação mesmo antes do fim do prazo.