Avançar para o conteúdo
Rua Saldanha Marinho, 374, Centro, Florianópolis/SC

Plano de saúde nega UTI alegando carência: o que fazer.

Introdução: a urgência do tema

Casos urgentes exigem respostas rápidas. A negativa de internação em UTI por planos de saúde, sob alegação de carência, coloca vidas em risco imediato. Este artigo aborda, com base em decisão recente do Juizado Especial Cível e Criminal de Cubatão (SP), os direitos de pacientes em situações como a de Vozie Hamia, enfrentando essa negativa por parte da AMIL Assistência Médica Internacional S.A. e do Hospital Ana Costa S/A.

Entendendo o caso de Cubatão: situação real e urgente

No dia 21/07/2026, Vozie Hamia foi admitida em emergência no Hospital Ana Costa, apresentando sepse urinária, dor torácica e instabilidade hemodinâmica. Mesmo diante da gravidade, a internação na UTI não foi autorizada pela operadora de plano de saúde até a data do pedido judicial.

Segundo laudo médico de 22/07/2026, a recusa representava risco à vida e possibilidade de danos irreversíveis.

Paciente em leito hospitalar com monitoramento intenso

Justificativa do plano de saúde: a alegação de carência

O argumento central da AMIL era de que ainda vigorava carência contratual para internação em UTI. Esse tipo de negativa é recorrente, impactando diretamente pacientes que necessitam de resposta rápida e tratamento intensivo.

O termo “carência” indica o prazo em que o usuário do plano de saúde ainda não tem direito integral à cobertura de determinados procedimentos.

Direito à saúde versus cláusulas de carência

O Judiciário reconhece que, em situações de urgência e emergência, a vida está acima de cláusulas contratuais. O entendimento atual considera ilegal a negativa de cobertura assistencial diante do risco de agravo extremo à saúde.

Em casos em que há risco à vida, a carência não pode ser utilizada como barreira para o acesso ao tratamento.

No próprio site da Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia, é possível entender que a discussão sobre a carência aparece em diversas ações judiciais sobre contratos de plano de saúde. Para aprofundar, veja a análise sobre quando o plano pode exigir carência em situações de urgência e emergência: carência em urgências e emergências.

Internação em UTI: por que não pode esperar

Segundo o relatório médico de Vozie Hamia, a admissão imediata na UTI permitiria monitorização contínua, uso de drogas vasoativas e exames necessários. A demora na autorização poderia causar agravamento e sequelas irreversíveis, situação infelizmente comum segundo estudos recentes sobre as taxas de internação por trauma em UTI no Brasil, que aumentaram 3,6% ao ano entre 1998 e 2015, sendo ainda maiores entre mulheres e idosos segundo estudo publicado Revista de Saúde Pública.

O que o Judiciário decidiu: destaque para a tutela de urgência

O juízo de Cubatão reconheceu a probabilidade do direito de Vozie Hamia e o perigo na demora do tratamento. Dessa forma, concedeu liminar determinando que AMIL e Hospital Ana Costa autorizassem a internação e toda a assistência de UTI em até 12 horas, monitorização, atendimento intensivista, suporte com drogas vasoativas e exames. Foi estipulada multa diária de R$ 1.000,00, limitada a 30 dias, caso a decisão não fosse cumprida.

“Proteja-se a saúde. A urgência da vida não pode esperar.”

Procedimento para cumprimento da decisão

A autora deveria, no prazo de 5 dias, encaminhar a decisão judicial às rés e comprovar residência em Cubatão, sob risco de revogação da medida. Ou seja, mesmo decisões urgentes exigem atenção a trâmites burocráticos.

O papel do CEJUSC: a audiência virtual de conciliação

Após a liminar, o processo seguiu para o CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) para agendar audiência de conciliação virtual. O procedimento envolve conferência dos e-mails das partes, envio de convites e realização pela plataforma Teams.

É orientado que documentos sejam enviados antes da audiência conforme regras específicas detalhadas pelo juízo. Em caso de dificuldades técnicas, o usuário pode acessar o fórum presencialmente para usar equipamentos fornecidos e garantir participação.

Audiência virtual de conciliação com plataforma digital

Regras da audiência e consequências da ausência

Se qualquer parte não comparecer, sem justificativa, a ausência será registrada oficialmente. Conforme os artigos 9º e 20 da Lei nº 9.099/95, a ausência do réu implica em presunção de veracidade dos fatos apresentados pela autora. Essa é uma regra que pode definir o desfecho do processo.

Audiências não podem ser gravadas pelas partes, sob pena de responsabilização pela Lei da Mediação.

Não havendo acordo: contestação e prazos

Caso não seja celebrado acordo em audiência, a parte requerida deverá apresentar contestação em até 15 dias. A marcação da audiência é informada via e-mail. Se a parte não for localizada, são feitas diligências para encontrar os contatos e garantir o chamamento.

Importante ressaltar que o comparecimento à sala virtual do CEJUSC é obrigatório após o agendamento.

Medidas processuais diante de negativa de UTI

Frente à recusa injustificada do plano de saúde em autorizar o tratamento intensivo, o paciente deve seguir alguns passos:

  • Pedir a negativa por escrito detalhada da operadora ou hospital
  • Obter relatórios médicos com urgência, detalhando o risco de vida e tratamentos indicados
  • Procurar orientação jurídica especializada em direito da saúde
  • Protocolar ação judicial com pedido de liminar, anexando documentos médicos

A liminar é geralmente concedida em poucas horas ou dias quando o quadro clínico é urgente.

Para entender mais sobre prazos específicos de carência, conforme mudanças recentes nas regras, pode-se consultar as informações sobre portabilidade e carências no artigo ANS e portabilidade de carências.

A importância do laudo médico e da documentação

Um laudo detalhado é a base do pedido judicial. É por meio do laudo que se demonstra o risco irreversível, a necessidade de internação e o perigo da demora. Vale reforçar que, para o direito ao procedimento pelo plano de saúde, o diagnóstico médico é essencial.

Médico segurando laudo detalhado e resultados de exames

Riscos da recusa do plano de saúde e as consequências legais

A recusa pode agravar o quadro clínico, causar sequelas e até morte. Além disso, planos de saúde que se negam a autorizar procedimentos urgentes por alegação de carência podem ser condenados a reparar danos morais. Casos como o de Cubatão mostram que o Judiciário é sensível à gravidade dessas situações.

Já se discutiu judicialmente que, mesmo com cláusulas contratuais de carência, não se pode afastar a cobertura em situações emergenciais. O entendimento é amplamente defendido, veja mais no artigo sobre cobertura mesmo em caso de carência contratual: afastamento de cobertura por carência.

A jurisprudência atual sobre negativa de UTI

O Superior Tribunal de Justiça entende que planos de saúde não podem recusar internações em situações de urgência, ainda que o período de carência não esteja encerrado. A proteção da vida e da saúde são princípios constitucionais incontestáveis. Isso se aplica inclusive a medicamentos de alto custo necessários em UTI, como já reconhecido em decisões recentes.

Indicadores de desfecho clínico mostram que a demora na admissão em UTI compromete a recuperação e pode trazer danos irreversíveis.

Prevalência e impacto das negativas de plano de saúde

Recusar cobertura de UTI é algo recorrente no sistema de saúde brasileiro, especialmente em emergências. Dados apontam que milhares de pacientes recorrem à Justiça todos os anos para garantir acesso ao atendimento intensivo.

“O Judiciário tem atuado para garantir o direito à vida antes de qualquer formalidade contratual.”

O papel da assistência jurídica especializada

Trabalhar com escritórios dedicados ao direito da saúde faz toda a diferença. A Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia tem larga experiência em casos similares, atuando na defesa de quem enfrenta negativas indevidas de planos de saúde, inclusive questões relacionadas a medicamentos e internações de alta complexidade.

Conhecer decisões judiciais, prazos, carências e direitos do usuário é fundamental para garantir resultado efetivo.

Para mais informações sobre dúvidas comuns em carências, vale consultar: carência do plano de saúde: dúvidas frequentes.

Telemedicina em UTIs e limitações no contexto atual

Estudo recente do Hospital Israelita Albert Einstein, via Proadi-SUS, indicou que o uso da telemedicina em UTIs não reduziu o tempo de internação ou contribuiu significativamente para o desfecho dos pacientes graves conforme ensaio divulgado em 2024. Isso reforça a necessidade de internação física e atendimento presencial intensivo, especialmente em situações de emergência.

Implicações práticas para os beneficiários de plano de saúde

Beneficiários devem manter sempre cópias de seus contratos, informativos e documentos médicos atualizados. Assim, é possível agir rapidamente diante de qualquer negativa e buscar orientação especializada com agilidade.

A negativa de acesso à UTI pode ser revertida por meio judicial em poucas horas.

O caminho a seguir: direitos e orientações finais

Diante da urgência da situação, a recomendação é sempre buscar auxílio jurídico especializado para garantir que os direitos de quem depende de plano de saúde estejam protegidos. O tempo conta e decisões rápidas salvam vidas.

Soluções como as oferecidas pela Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia ajudam a transformar injustiças em decisões favoráveis ao cidadão.

Conclusão

Quando a vida está em jogo, não se pode esperar. Em casos como o de Cubatão, a Justiça mostrou que acolher pacientes de imediato é uma prioridade constitucional. O entendimento é claro: cláusulas de carência dos planos de saúde não podem servir de escudo para impedir tratamentos de emergência.

Quer saber mais sobre seus direitos, ou precisa de apoio? Descubra como a Dias Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia pode ajudar você a garantir acesso à saúde quando mais precisa.

Perguntas frequentes sobre carência, UTI e plano de saúde

O que é carência no plano de saúde?

Carência é o prazo inicial previsto em contrato em que o usuário ainda não pode usar determinadas coberturas ou procedimentos, mesmo já estando vinculado ao plano de saúde. Para a maioria dos procedimentos, há um tempo mínimo que precisa ser respeitado, mas em emergências e urgências, a lei prioriza a vida, impedindo esse tipo de restrição.

Como contestar a negativa da UTI?

O primeiro passo é exigir a negativa formal do plano de saúde. Em seguida, reunir toda a documentação médica e registrar o risco de agravamento à saúde. É possível ingressar com ação judicial com pedido de liminar, para exigir a internação imediata. Com rapidez e documentação forte, a Justiça costuma deferir o pedido emergencial.

Quais direitos tenho contra o plano de saúde?

Há direito à cobertura de procedimentos de urgência, incluindo internação em UTI, mesmo durante períodos de carência. O Código de Defesa do Consumidor e a Constituição asseguram a proteção à vida, à saúde e à dignidade do beneficiário.

É possível acionar a Justiça contra o plano?

Sim. Sempre que houver negativa indevida, especialmente em casos de urgência médica, o beneficiário pode e deve recorrer ao Judiciário. A liminar, quando fundamentada, costuma garantir acesso ao tratamento que foi negado.

Quanto tempo dura a carência para UTI?

Em regra, o prazo de carência para internação é de até 180 dias. Porém, conforme a legislação e a jurisprudência, nos casos de emergência e urgência, esse prazo pode ser relativizado, obrigando o plano de saúde a cobrir a internação mesmo antes do fim do prazo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Escritório de Advocacia com atuação nacional e especializada em saúde e previdência.

Dias Ribeiro Advocacia - CNPJ: 36.213.393/0001-69.
OAB/SC 4.810.